Esperei sempre que entendesses as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz. Sei hoje que apenas esperei, e esperar não é suficiente, esperei pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste, esperei tanto e nunca fui capaz de fazer, quero pedir desculpa, e sei que pedir desculpa não é suficiente. Às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo, gosto das palavras que dizes em silêncio, dos gestos que fazes no escuro, da verdade que alcanças da mentira, do sorriso que tiras da tristeza, eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que nada disto foi escrito, sim, hei-de fingir que não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não as leste.
"nenhum outro ruído é tão inquietante como aquele que sobra das palavras que se não dizem." Júlio Montenegro