Não é nada mais que falar sobre mim e sobre aquilo que o meu pensamento pensa sobre ele próprio, estou sentado numa cadeira emprestada, diante de umas tantas camas com uns tantos pacientes, todos estão bem, o ambiente é tranquilo, honesto e desinteressado pelo mundo avesso e conhecido por todos, os rostos são de ausência e reveladores de uma dor profunda, de uma dor que explicada jamais poderá fazer sentido, a dor da solidão, olhos vazios, cheios de uma certeza vivida, olhos postos em mim e nos que aqui vem, olhos gratos pelo sorriso, são almas tristes e submersas em pensamentos levados e arrastados pelo tempo da memória, lembro a ausência da fé, pois a tormenta e a aflição são profundas e a fé está na porta que se abre e que se fecha mas que não deixa entrar nem sair ninguém, estão sós, prontas para tudo e conscientes do nada, são vozes que tocam as lágrimas de quem as ouve, sinto-me dentro dessa gente e então penso, a solidão é o sentimento mais profundo e mais intenso que podemos v…
"nenhum outro ruído é tão inquietante como aquele que sobra das palavras que se não dizem." Júlio Montenegro