Na verdade, ao ver-te aí sentada no colo, a choramingar e a lutar contra o sono, decidi ir devagar, com medo de falhar, não sabia se esse era o caminho, o caminho para te encontrar, o caminho para te poder desvendar, para te poder entender, fui ao encontro do teu sono, a tentar procurar o que sabes de mim, a tentar procurar o teu desejo, sem entender o teu pedido, sabia que pedias e chamavas por mim, daqui para aí, um tempo, uma vontade, falas na tua língua, na língua dos anjos, falas com o teu olhar, com as tuas mãos, olhas na minha direcção, esboças um sorriso e pedes, pedes de mim tudo o que sou, e eu, dentro do teu sonho, sou tudo o que queres que seja.
"nenhum outro ruído é tão inquietante como aquele que sobra das palavras que se não dizem." Júlio Montenegro