Gostava de ter o poder de mudar o rumo destas palavras, gostava de olhar para elas e dizer o quanto as admiro, o quanto as venero, gostava de senti-las e observá-las, fechado com elas numa sala repleta de cultura e silêncio, de olhos abertos e ouvidos moucos, janelas corridas e planos que nada valem ao seu saber, palavras inteiras ou pela metade, palavras que entendem as outras, vozes surdas que lutam sem consequência, abraços e gestos sentidos, pensamentos levados pela força de um vento que jamais os pode devolver, passado que é o presente do nosso triste futuro, restam as palavras, as ditas palavras, as tais, aquelas por quem não esquecemos.
"nenhum outro ruído é tão inquietante como aquele que sobra das palavras que se não dizem." Júlio Montenegro