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Mensagens

Os dois mundos

O laço infrangível que consegue unir os dois mundos, que torna apócrifa a fronteira entre a vida e morte, e possível o seu encontro de todos os dias. Tudo pode continuar como está, numa espécie de limbo, de reino intermédio e esbatido, tudo podia continuar assim se o amor nunca tivesse aparecido, mas ele veio e isso alterou tudo…deixou que o silêncio tomasse conta da beleza, deixou-se levar pelo indomável espirito da aventura, deixou-se contagiar pelo inexorável sorriso, deixou um brilho único, irresistível. Veio para mostrar o carácter ilusório do paraíso em que pensamos viver, veio para obrigar a escolher entre este tempo e o outro, veio para dar a conhecer, com maior lucidez, a ponte que atravessa os dois lados da existência, veio com essa força dominadora, veio para ficar, veio para não deixar desistir, veio para nos escutar, veio para nos ler, veio porque tem um nome e uma força avassaladora que só a ele conseguimos dar, veio para fazer tremer e chorar, veio simplesmente. O amor …

Ainda sobre o silêncio

Ainda sobre este silêncio, aquele que em mim é apaziguador, que traz no pensamento um delirante e intenso grito, que é emotivo, marcante, único e essencial, que é destemido, sentido e sereno, que é ofegante e apertado, sincero e deslumbrante, esse silêncio que, simplesmente, considero perfeito, que refaz uma alma que já pouco vacila num coração disposto a aceitar as contrariedades da vida. Esse silêncio que vê os cartoons como os mais belos retratos do exemplo e dos olhos entorpecidos, que está presente no estigma, que não censura. O silêncio que faz sentir as borboletas no estômago quando se aventura no desconhecido. Mas porque devo silenciar este ensejo se o agora pode ser a única verdade que conheço? 

Olhares

O olhar que pode intimidar, que pode fazer viver, esse olhar que descobre o adormecido, que vive o desconhecido, o olhar sincero, feliz e único que se sente no coração, o olhar que une duas almas, que olha de olhos fechados, o olhar que conhece as costas, que passa pelas palavras, que lê nas entrelinhas, o olhar que comove, que não adultera, que não mente, o olhar da beleza e da metáfora, o olhar que descobre o sol no caminho de uma folha caída, o olhar amadurecido e de paladar acanelado, o olhar escuro da noite munido e perfilado de anúncios presunçosos, o olhar inquieto da intriga, o olhar que nunca foi visto, o olhar sofista, o olhar da arte e do domingo em descanso, o olhar nómada e fascinante, a força e a cor de um olhar meigo e doce, a alma de um olhar que se perde num vestido curto ou num sabor salgado de uma qualquer lágrima de saudade, que dizer do olhar, desse olhar, do olhar em silêncio, aquele que perturba e que tudo significa, aquele que jamais se esquece, aquele que subs…

Equivoco

Não tenho qualquer intenção de esculpir palavras ou desenhar pensamentos, não tenho e jamais terei o prenúncio de fazer repousar as palavras antes de serem ditas, comovo-me com a felicidade de uns olhos que choram de alegria, intento nos passos a comoção da partida e o gáudio da chegada, repouso as mãos nesse mapa de sentido trágico que comanda o caminho do horizonte, nada acontece ao acaso e o acaso acontece por nada, até para lá do olhar, no palco desse trágico e difuso corpo que não vejo mas que sinto, nada é mais intenso que a intensidade de viver o que nunca foi vivido, nada é mais verdade do que a verdade desconhecida, que saudade dessa viagem que percorre o meu âmago e se deixa levar pelo mar de tormentas, que saudade do cheiro, do aceno, do aperto, do caminhar e do estar só, que saudade desse altruísmo que desfaz o culto do senso comum, que saudade da pintura, da tinta, do traço, do giz e do som sem importância, que saudade do travesseiro e da história que ainda não me contast…

Escrever

Tirando o desenho de cores escuras e contornos delicados, aparece o índice que me reabre as páginas da vida e me faz aparecer no que leio mais à frente. Depois de me ver em plena leitura, sou confrontado com o amigo, esse que imagino e que me faz sonhar, esse a quem conto tudo, a quem não segredo nada, esse que me limpa a alma e me invade o coração, esse que conhece o que de mim é desconhecido, permitindo-me saber que o imaginário é infinito, não esqueço o preâmbulo e as partes ou capítulos em que o livro se divide. Em mim, escrever, é sempre poder levar a quem lê a sua própria história, escrever é tão somente criar, viver, sentir, é considerar o outro, é ter prazer no que daqui pode ser pensado, escrever é mais do que isso, é mais do que está a pensar, é mais do que penso, é ser, é soberano, é ter na página a frente e o verso, é saber olhar, é permanecer numa arte que identifica a alma como sendo minha e de mais ninguém, é como viver uma vida que é despojada do eu, se assim não enten…

Amor

Metade, partido, assim como incompleto, como se existisse só um lado, só a cara, sem coroa, ausente que estou do meu adverso que invade o pleno de mim. Imperfeito, arredado dessa outra metade que me fascina, que já esteve e que já partiu, que tarda em voltar. Não sinto o perto nem o distante, é como um quase tudo, um quase mas. Suspenso, submerso de uma palavra, de um sinal, de um gosto, de um dia. A desassossego que vivo não se coaduna com a delonga desse sentir. Resigno-me da palavra, do olhar, de tantas outras coisas. Submeto-me ao pedido da vida, hoje e sempre, porque é sempre possível amar, mesmo se os outros não precisarem do nosso amor, porque esse amor sincero, esse amor sentido, esse amor que fala do coração é o único que é capaz de perdoar, de tolerar, de viver, de respeitar, de interiorizar e acima de tudo de prevalecer sobre todo e qualquer pensamento humano, porque é nesse amor que se deve ler o silêncio e é nesse silêncio que se deve falar de amor.

Tempo

Abertos que estamos a um mundo de constante mudança, saciados e projectados num caminho de revolta, convidados à esperança na certeza de um desejo que procura, desesperadamente, um rumo certo. Na manhã nos abra os horizontes de um anúncio de consolação em cada dia, porque quando a noite chegar, não temeremos, pois trilhamos caminhos de amor e concórdia, de plenitude e justiça, porque o vazio já cansa, é tempo de dizer ao tempo que o mar e céu não tem tempo, é altura de guardar o portador da voz, de ser humilde no convite, de encher os corações de rebuçados doces e cheios de vida, é o tempo para ter tempo de nós, é tempo de cantar o silêncio e dobrar o sol sobre si mesmo, é tempo de olhar o outro e viver o outro, é tempo de prometer a dança e o tempero das palavras, é tempo de brincar na estrada e cair na pedra dura, é o tempo da magnificência e do beijo sossegado, é tempo de um novo momento, é tempo de persistir na felicidade, é tempo...