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Beijo

Este é o momento para o dizer, porque não, o beijo, como sonho com ele, como o desejo, como o venero, nunca o vi, nunca o sofri, mas quero-o e acima de tudo, quero-o pelo gosto, pelo medo, pelo aconchego, quero-o pelo sentir, quero-o como quero esse abraço que me desnuda e aquece o meu frio, quero esse beijo que me deseja e me despede, quero esse beijo que me faz fechar os olhos, que adormece na esperança de te olhar enquanto sonha, quero o beijo que o corpo teima em ter, que a razão permanece, o beijo da minha vida, o beijo que acorda os sentidos, que sorri na angústia, o beijo da verdade, o beijo que não se esquece, que fica, que eterniza, que vive dele próprio, quero esse beijo, um só, basta-me um só…

Saudade

Perdido entre o sorriso e a verdade das verdades, cruzado que está o mar, falta descobrir o mundo e falar mais alto, falta saborear a tua onda que traz o desejo e leva a saudade, recadoe gesto de um corpo de respeito caminhar, imponente olhar e toque suave daquela melodia que só por nós consegue ser ouvida, cadeira vazia que espera por ti e pela tua vontade, abraço que lembra e aperta a força do nosso silêncio. Semântica, significado, abalo ou precipício, como se de um lado se tratasse, ausente do meu oposto que estou, arredado dessa outra metade que me fascina, que ainda não pode vir, que tarda. Assim sinto e sou, longe da palavra, da tua palavra, dessa que sai dos teus olhos sem nada dizeres, impaciente na nossa omissão e paciente do nosso querer, assim espero e deixo o livre arbítrio desenhar, aqui e agora. Sempre.

Segredo

Tenho uma confissão a fazer-te, um segredo que quero que guardes, que quero deixar em ti, não quero que me interpretes mal, não quero melindrar-te ou preocupar-te, é simplesmente um segredo, daqueles que todos sabem mas que ninguém admite saber, daqueles que só alguém muito especial sabe, daqueles que só depois nos apercebemos que conhecemos tanta gente especial, mas ainda assim, vou contar-te um segredo, lembra-te de não o partilhares, nem comigo. Senta-te aqui ao meu lado, fecha os olhos e escuta, descobre o amor que pode vir deste silêncio que estás a escutar, sente a força de um abraço que não estás a abraçar, percorre esse caminho que está por descobrir, alimenta este momento na tua vida, abre o coração e deixa-te conhecer, deixa-te apaixonar pela tua beleza, mostra ao saber a ponte que atravessa os dois lados do teu sorriso e desvenda o segredo, o tal segredo que todos querem saber, esse mesmo, o que acabei por não te dizer…

Demora

Olhar os teus olhos, ouvir a tua voz sem perceber o que dizes, retrato sem rosto com sentir de saudade, mistura de limão e canela, o teu encanto, sentido o amargo da distância e o silêncio do desejo, entrar no pensamento de uma dança, sem recusar ou recuar, estou aqui porque não posso estar em mais nenhum lugar. São as palavras, os gestos, os olhares, as memórias de um presente que não se esquece e de um passado que permanece, o valor da música e a força de expressão, não encontro espaço ou porta que se abra, encontro a janela do tempo e o mesmo tempo que demora em chegar, mais sabor, mais pronúncia, ser diferente na procura da diferença dos outros, são páginas de um livro sem elenco, sempre e para sempre…

Presságio

Sou eu mesmo, esse desenho feito de sombras que me perseguem e que desconheço as íntimas e verdadeiras provocações, não será por acaso que o lápis toma o caminho pelo desconhecido, e de papel em papel se projecta num presságio de silêncios mal amados e desconfiados pelo medo. Sou eu, entre ti e tu, sempre sobre uma linha que se confunde com um destino, sou o desenho e o que o desenho é de mim, que pode incluir tudo, até este tempo ou um outro qualquer, até uma saudade que não vou admitir ou um pensamento que não quero demonstrar. Porque não um novelo de cansaço, um corpo adormecido ou uma esperança esquecida. Sou eu, um exército de raros momentos que perfilam a devoção até chegar outra palavra, outro sujeito ou outro verbo, atá ao dia em que a dor deixa de doer e o desenho deixa de escrever.

Quatro ventos

Perdi a voz na vida, uma razão de quatro ventos e dois gritos que não deixam sair as minhas asas, o caminho que não é o castigo, é a ilusão de um silêncio que acaricia o céu e esquece a dor. Invento horizontes e cubro o adormecer com um dia frio de vitórias e gostos desmedidos. Quero viver o inesperado e saber que o simples é vivido sem preconceitos, com gratidão e amizade, quero pintar as paredes que me rodeiam de cores vivas, gestos nobres e momentos únicos, quero os teus olhos, quero dizer mais e falar menos, quero esquecer a luz e viver na penumbra do diz-me tu, diz-me tu se a solidão faz pensar e ver melhor na escuridão, diz-me tu onde estão os meus passos, diz-me por onde vão, e as memórias, e as páginas em branco, quem as vai escrever, quem as vai ler. Só quero afastar a tristeza de um coração sem cor e sem melodia, quero dizê-lo baixinho, quero a tua poesia e a tua alegria, quero soletrar bem devagar as palavras que nunca te direi, quero soltar os mesmos quatro ventos e seguir…

Desarrumação

Sinto a tua desarrumação, a angústia do teu silêncio, a verdade do teu olhar, o aceno à janela, a casa fresca numa tarde de verão, o chocolate negro e amargo limão. Saúdo as palavras que não entendo, o mergulho que ainda não tentei, vivo a canção que ainda não sussurraste para mim, a magia de um gesto e o telefone que não toca, a carta que ainda não me escreveste. Sinto a falta de te olhar um passo à frente, da inocência da culpa e da verdade que escondes, sinto falta do lápis com que desenhas o meu sabor, do sossego que preserva a alma, da escuridão que relança a luz do próximo dia, do ego onde pernoitam os anjos e os demónios, sinto falta do estrangeiro que trago dentro de mim, sinto falta do pedaço de corpo que repousa no teu ombro e da forma carinhosa e poética onde desaguam os nossos desejos, sinto falta do medo que se esconde atrás da porta. Não é relevante saber o caminho, relevante é saber como caminhar, relevante é sairmos do limbo, evitar o purgatório e merecer a eternidade……