Onde
estás tu que não te vejo, onde escondes esse abraço que suspiro, que torna
santo o meu culto desconhecido. Recusas o texto do teu olhar e namoras a
verdade das palavras que só se escutam no silêncio, buscas no adjectivo uma
forma de murmúrio e agarras o verbo numa fala descuidada. Desejo esse teu
templo perdido, entre os cachos da lua cheia e a imensidão do infinito, ia
jurar que ainda sinto o rasto do teu cheiro, mas o que mais impressiona neste
sufoco de doces aflições são os domingos da vida.
"nenhum outro ruído é tão inquietante como aquele que sobra das palavras que se não dizem." Júlio Montenegro