São
as lágrimas que ocupam o meu desassossego, que me deixam capaz de nada dizer,
que me levam a virar a cara para o outro lado porque sinto o travesseiro
molhado, são as mesmas lágrimas que me fazem levantar a cada dia, que me fazem
olhar o escuro do meu quarto sem qualquer medo. São lágrimas que me deixam a
sós na minha solidão. São lágrimas que caem sobre o meu rosto e me fazem provar
o seu gosto. São lágrimas que amam e que são amadas, que vivem e que morrem em
mim. São lágrimas que fazem amor comigo, que nunca deixam o meu corpo, que
escorrem delicadamente sobre ele até à certeza da sua efémera existência. São
lágrimas que vivem breves segundos como únicos, como o instante em que tudo
acontece. São lágrimas sem nome, que só aparecem na presença desse amor que
vive dentro de nós.