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Onde fica o céu?

Onde fica o céu? Eu sei que esse dia vai chegar, o caminho está a acontecer, está a ser vivido em cada gesto, cada passo, cada palavra e cada olhar, um caminho que me faz pensar no percorrido e me faz sonhar com o que vou percorrer. É um caminho solitário de tantas pessoas que me acompanham, é um grito mudo de palavras que se não dizem, enterro os pés na areia e caminho com a dificuldade que daí advém, no horizonte, avisto aquele traço que junta o mundano e o divino, todos nós o conseguimos ver, muito poucos o conseguirão alcançar. Eu tenho esse propósito, caminhar até esse destino, até ao momento onde posso tocar o divino ao mesmo tempo que me sepulto no mundo, esse que me chama e me deixa sem chama, esse que me completa sem perguntar quem sou, sinto-me preso, sem força para perceber a força desse bocado de terra que me acompanha. Onde estás tu? Onde ficas tu para lá dos meus olhos, para lá do meu sonho, de nada me adianta querer chegar à fala contigo, da transcendência da tua nature…

Prometo

Prometo ser a pessoa que não sou. Prometo confessar o que jamais pensei dizer. Prometo calar-me perante a sabedoria. Prometo perder-me na tua beleza, recolher a casa nos braços do teu abraço. Prometo entregar-me a essa dança inventada por ti. Prometo o dia que vai acontecer, o dia que vou deixar viver na eternidade, o ómega. Prometo, numa tarde de sol, perante o mar e para lá da rebentação, perguntar-te até onde achas que conseguimos ir? Prometo não querer saber de onde veio, de que é feito e de quem é a falta. Prometo ousar da emoção e parecer ingénuo. Prometo olhar-te até esculpir a tua alma, até encontrar o teu verbo. Prometo o vestido curto e perder-me no nó da saudade. Prometo reinventar o prazer de navegar o corpo, lançar a âncora e dobrar o bojador na maré calma do teu precipício. Prometo o desejo e o silêncio, o que advém daí e o que sempre por ti senti.

O outro amor

É o outro amor, não aquele que se vê, que se toca, que se pode sentir e até viver. É o outro, o outro amor. É aquele amor que conhece de costas, que vê de olhos fechados e que toca sem nunca ter tocado. É o amor que ouve o silêncio, que vive sem ter provado da vida. É o outro amor, aquele que todos guardamos de todos, aquele amor que é só nosso e que só nós o conhecemos. É o amor verbo, o amor que não quer colo, o amor das três da tarde. É o único amor que é capaz de ser o outro, o outro amor.

Pronúncios

Visto daqui o tempo faz sentido e é finito. Da distância de onde me vem o olhar, há pronúncios de ti em esboços difusos e profanos, onde o corpo comove e o silêncio renasce.

Se é saudade

Saudade, se é, que seja forte, intensa, violenta e excessiva no sentir, que seja levada até às lágrimas ou até à profunda verdade. Se é saudade, que seja doce na admiração, que seja simples de gestos e vontades, que seja em forma de silêncio ou que se pronuncie num grito inaudível. Se é saudade, então que seja cúmplice no corpo e no desejo, que seja de orgasmos mútuos e proibidos, que seja a beleza do que é belo, o suor do sofrido e a palavra da solidão. Se é saudade, que seja no tempo eterno do abraço, no enigma do beijo e na litigância dos sentidos. Se é saudade, que seja o presságio comovido do olhar que deixa escapar a dor e irrompe do coração uma espécie de tumulto. Se é saudade, então que seja um texto escrito a quatro mãos, que ame sem cura e sofra sem remédio. Se é saudade, que seja de ti e de mais ninguém.

Somos mais...

Como se a vida me desse a faculdade de tal intento, como se o teu olhar fosse desaparecer da minha vista ou o teu cheiro do meu pensamento, como se os bolos de chocolate fossem isso mesmo, como se o grito fosse feito de eternos silêncios ou o desenho fosse tudo o que um lápis pode fazer. Somos mais, somos mais que palavras que estão por dizer, somos mais que o abraço que ainda está por acontecer ou o sorriso que ainda está por abandonar, somos mais que o adormecer, somos mais que o querer, somos mais que a tempestade ou o sabor da verdade, somos mais que o sentir, somos mais, somos muito mais do que podemos parecer. E, ainda assim, até quando, juntos, vamos conseguir viver um sem o outro...

Já não sei

Já não sei porque apagas a luz tão cedo. Já não sei porque te deitas de olhos abertos ou porque esperas por mim para te cobrir. Já não sei onde pões esse beijo que procuro antes de to dar ou esse desejo que sentia antes de desejar. Sei que, afinal os anjos têm sexo entre eles e, às vezes, comigo. Sei que, escasso é o corpo para tanta vontade e doce é o caminho que perturba o sabor.