Parece improvável atravessar o mar, ou caminhar sobre ele, parece improvável multiplicar pães e peixes, é difícil de acreditar em tais actos, para nós, claro, que somos fracos e impotentes, que usamos uma ínfima parte do cérebro, que olhamos o mundo de olhos vendados, porque, se olharmos à volta, ele está cheio de mistérios e de coisas impensáveis, se conseguirmos ver com outros olhos, descobrimos em nós pensamentos e acções que ultrapassam todos os mares e multiplicam todas as vontades, a questão é olhar o mundo com os olhos certos.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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