Ausente que estou, que sinto, vou fazer-me à dura estrada entrelaçada em curvas e rectas famintas de portas e janelas, quero sentir a ira do meu horizonte, a luz que me resta ao longe, a fogueira que arde em alto monte, adeus, minha gente, é a hora certa, o momento exacto, a quem vejo arrependido, as mãos que me negaram e que um dia foram o amigo, adeus a essa gente, olá e bem-vindo a quem quiser, a quem estiver na curva ou na recta desta minha dura e inquietante corrida, nas minhas costas levo quem me ama, levo-te no peso do meu coração, levo-te dentro do meu sossego, estou bem, estou bem assim, despedido do lado errado em que nasci, no lado errado da vida, partir, ir, buscar, ausente vou ficar, longe de uma memória que não vou guardar, guardarei a lição, mas esquecerei o livro, adeus e até nunca, olá, muito prazer em conhecer-te, é uma honra viver-te.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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