Parece improvável atravessar o mar, ou caminhar sobre ele, parece improvável multiplicar pães e peixes, é difícil de acreditar em tais actos, para nós, claro, que somos fracos e impotentes, que usamos uma ínfima parte do cérebro, que olhamos o mundo de olhos vendados, porque, se olharmos à volta, ele está cheio de mistérios e de coisas impensáveis, se conseguirmos ver com outros olhos, descobrimos em nós pensamentos e acções que ultrapassam todos os mares e multiplicam todas as vontades, a questão é olhar o mundo com os olhos certos.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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