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Quem és tu?

Tenho uma opinião sobre quem me rodeia, sou crítico e até preconceituoso ao que vejo e ao que ouço, sei o meu nome, um ou vários dos meus desejos, uma vontade, um propósito, um objectivo, tenho sempre uma verdade e uma mentira escondida, tenho algo que me identifica perante todos e todos sabem quem sou, nem todos me dizem nos olhos aquilo que pensam sobre mim, mas, quem sou eu?
Que interessa ter um nome, uma profissão, uma cor de pele, uns olhos castanhos e um cabelo escuro ou claro, que interesse existe se sou alto, baixo, gordo ou magro, que interesse tem tudo isso se não souber quem sou realmente, e quem sou eu?
Que interesse tem outros saberem quem sou, se eu próprio não consigo identificar a figura que vejo ao espelho, que interesse tem se estou bem na vida, se tenho tudo o que a minha doença quer, se vejo a minha vontade acima de tudo e de todos, se no fundo não sei quem sou, sou pronto a identificar-te e a dizer quem és mas humanamente incapaz de me olhar por dentro e saber, quem sou eu afinal?
Sim, quem és tu?

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O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.  

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)