Vou fazer segredo daquilo que não sei, vou dizer a todos que esperem por mais, que não desistam, que sei a cor que mais gostas, que sei o gesto que mais aprecias, que sei o que não faço por ti, quem é que vai cair neste meu engodo, desejo ou seja lá o que for, quem é que ouve o que o tenho para dizer, já é quase noite e ainda ando por aqui, respostas, não tenho, já falta pouco, dizem, há dias assim, que me deixam só, sem voz, sem esperança, com uma certeza, aquela que para mim guardo, e que só tu sabes sem nunca te dizer.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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