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Preciso

Já foram os dias e as horas, continuas a escrever antes de tudo o mais, pensar em algo mais realista, mais mundano, o homem que assa as castanhas ou aquela senhora que vende as meias de que todos precisam, gosto de descer a rua e sentir o cheiro da calçada, gosto da terra e da areia molhada, gosto do dia quando está frio e com o sol à espreita, gosto do teu colo e de te ver no colo, a vida é mesmo assim, por vezes injusta e capaz de despedidas nunca ditas, por vezes justa e vingativa, por vezes cruel e imaginária, e outras vezes, somente, digna.
Gosto deste som, deste amor que é teu, gosto do teu saber, na verdade o que escrevo, nada, nada que possa levar alguém a pensar na luta desmedida pela dignidade, até onde vou, não sei, qual o caminho, onde estás, aparece para que te veja, se tu precisas, eu também preciso. 

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.