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Preciso

Já foram os dias e as horas, continuas a escrever antes de tudo o mais, pensar em algo mais realista, mais mundano, o homem que assa as castanhas ou aquela senhora que vende as meias de que todos precisam, gosto de descer a rua e sentir o cheiro da calçada, gosto da terra e da areia molhada, gosto do dia quando está frio e com o sol à espreita, gosto do teu colo e de te ver no colo, a vida é mesmo assim, por vezes injusta e capaz de despedidas nunca ditas, por vezes justa e vingativa, por vezes cruel e imaginária, e outras vezes, somente, digna.
Gosto deste som, deste amor que é teu, gosto do teu saber, na verdade o que escrevo, nada, nada que possa levar alguém a pensar na luta desmedida pela dignidade, até onde vou, não sei, qual o caminho, onde estás, aparece para que te veja, se tu precisas, eu também preciso. 

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Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)

O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.