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Honra

Ausente que estou, que sinto, vou fazer-me à dura estrada entrelaçada em curvas e rectas famintas de portas e janelas, quero sentir a ira do meu horizonte, a luz que me resta ao longe, a fogueira que arde em alto monte, adeus, minha gente, é a hora certa, o momento exacto, a quem vejo arrependido, as mãos que me negaram e que um dia foram o amigo, adeus a essa gente, olá e bem-vindo a quem quiser, a quem estiver na curva ou na recta desta minha dura e inquietante corrida, nas minhas costas levo quem me ama, levo-te no peso do meu coração, levo-te dentro do meu sossego, estou bem, estou bem assim, despedido do lado errado em que nasci, no lado errado da vida, partir, ir, buscar, ausente vou ficar, longe de uma memória que não vou guardar, guardarei a lição, mas esquecerei o livro, adeus e até nunca, olá, muito prazer em conhecer-te, é uma honra viver-te. 

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.