Ausente que estou, que sinto, vou fazer-me à dura estrada entrelaçada em curvas e rectas famintas de portas e janelas, quero sentir a ira do meu horizonte, a luz que me resta ao longe, a fogueira que arde em alto monte, adeus, minha gente, é a hora certa, o momento exacto, a quem vejo arrependido, as mãos que me negaram e que um dia foram o amigo, adeus a essa gente, olá e bem-vindo a quem quiser, a quem estiver na curva ou na recta desta minha dura e inquietante corrida, nas minhas costas levo quem me ama, levo-te no peso do meu coração, levo-te dentro do meu sossego, estou bem, estou bem assim, despedido do lado errado em que nasci, no lado errado da vida, partir, ir, buscar, ausente vou ficar, longe de uma memória que não vou guardar, guardarei a lição, mas esquecerei o livro, adeus e até nunca, olá, muito prazer em conhecer-te, é uma honra viver-te.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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