Avançar para o conteúdo principal

Palavra


Não sei porque o faço, não sei porque o deixei de fazer, a verdade é que sinto falta das palavras, não consigo viver sem elas, sinto a sua alma e a sua essência, sinto o que fazem por mim, olho para dentro de cada uma delas e revejo a minha personalidade, o meu desejo , a minha angústia, olho para cada uma delas como únicas, olho para a sua história e para o seu passado e não me esqueço do que querem de mim no presente e do que farão de mim no futuro, não sei o que pensam de mim, sei que existem e que querem ser conhecidas, sei que me fervilham no pensamento e me deixam inquieto, as palavras que guardei durante este tempo levaram-me para sítios onde nunca estive, percorri o mundo sem nunca ter saído desta esfera redonda, vi pessoas que não sei se existem, vivi sentimentos que jamais senti e mergulhei num mar ainda por descobrir, este é o poder das palavras, este é o poder do nosso querer, da nossa vontade, do nosso destino, é o lugar onde tudo pode acontecer, o momento imaginário, o grito do silêncio, o chão onde pisamos, estas são as palavras, simples, anónimas, caras, presunçosas, materiais, imortais, meigas e respeitosas, são tantas, são as que escrevo e as que ainda vou escrever, são as que penso e que não me deixam adormecer, são as que sinto, as que mudam de significado, as que sonho, as que vejo no escuro, são intemporais, infinitas e inesgotáveis.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.