Tudo
o que preciso é de uma página em branco, é deste silêncio
que invade o escuro do meu quarto, tudo o que preciso é olhar em volta e nada
ver, assim como agora, assim como te escrevo, de costas voltado a ouvir o som
das palavras que tenho dentro do meu pensamento, de repente tudo começa a
ganhar vida, do escuro do meu quarto desperta uma lenta e demorada penumbra que
vai abrindo o meu horizonte, que me mostra a existência de algo para além da
escuridão, começa a ficar mais forte, mais intenso, o silêncio, continua a fazer-se
ouvir, ele e o som das palavras que me deixam acordado neste quarto de
incertezas, será possível que os meus olhos consigam ver o mundo deste pequeno
e escuro lugar, esse mundo imenso que espera por mim, esse mundo que ainda tem
tanto para me dizer, que ainda tem tanto para ouvir. Por esta altura a
claridade que daqui emana já me deixa diferenciar onde estou e por onde quero
caminhar, o sítio parece apertado e com uma única saída ou direção, mas isso
era se eu estivesse dentro do meu quarto e não dentro do meu coração.
Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)
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