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Agora


Sem rumo, meio termo, partido, inacabado, como se de um lado se tratasse, só semblante, separado do meu intento que finaliza o absoluto de mim. Grosseiro, desesperado e isolado, arredado do outro lado que me cativa, desse lado do olhar, do sorriso intempestivo, do lado que tarda em chamar. Nem presente de, nem distante ou passado do, é um quase tudo cheio de nada e um nada quase cheio de tudo. Pois é, a norte ou a sul, é trapézio sem rede, à espera de uma palavra, de um sentido, de um qualquer gesto, de um dia. A inquietude do caminho que visto aos meus olhos não se conforma com a lentidão do despertar. É uma demora contínua que exaspera o presente, abdico da ausência de mim, da omissão do meu querer, do silêncio das minhas palavras, suporto tudo o que a vida me quiser dar, aqui, agora e para sempre.

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Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)

O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.  

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.