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Agora


Sem rumo, meio termo, partido, inacabado, como se de um lado se tratasse, só semblante, separado do meu intento que finaliza o absoluto de mim. Grosseiro, desesperado e isolado, arredado do outro lado que me cativa, desse lado do olhar, do sorriso intempestivo, do lado que tarda em chamar. Nem presente de, nem distante ou passado do, é um quase tudo cheio de nada e um nada quase cheio de tudo. Pois é, a norte ou a sul, é trapézio sem rede, à espera de uma palavra, de um sentido, de um qualquer gesto, de um dia. A inquietude do caminho que visto aos meus olhos não se conforma com a lentidão do despertar. É uma demora contínua que exaspera o presente, abdico da ausência de mim, da omissão do meu querer, do silêncio das minhas palavras, suporto tudo o que a vida me quiser dar, aqui, agora e para sempre.

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.