É o outro
amor, não aquele que se vê, que se toca, que se pode sentir e até viver. É o
outro, o outro amor. É aquele amor que conhece de costas, que vê de olhos
fechados e que toca sem nunca ter tocado. É o amor que ouve o silêncio, que
vive sem ter provado da vida. É o outro amor, aquele que todos guardamos de
todos, aquele amor que é só nosso e que só nós o conhecemos. É o amor verbo, o
amor que não quer colo, o amor das três da tarde. É o único amor que é capaz de
ser o outro, o outro amor.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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