É o outro
amor, não aquele que se vê, que se toca, que se pode sentir e até viver. É o
outro, o outro amor. É aquele amor que conhece de costas, que vê de olhos
fechados e que toca sem nunca ter tocado. É o amor que ouve o silêncio, que
vive sem ter provado da vida. É o outro amor, aquele que todos guardamos de
todos, aquele amor que é só nosso e que só nós o conhecemos. É o amor verbo, o
amor que não quer colo, o amor das três da tarde. É o único amor que é capaz de
ser o outro, o outro amor.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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