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Onde fica o céu?


Onde fica o céu?
Eu sei que esse dia vai chegar, o caminho está a acontecer, está a ser vivido em cada gesto, cada passo, cada palavra e cada olhar, um caminho que me faz pensar no percorrido e me faz sonhar com o que vou percorrer. É um caminho solitário de tantas pessoas que me acompanham, é um grito mudo de palavras que se não dizem, enterro os pés na areia e caminho com a dificuldade que daí advém, no horizonte, avisto aquele traço que junta o mundano e o divino, todos nós o conseguimos ver, muito poucos o conseguirão alcançar. Eu tenho esse propósito, caminhar até esse destino, até ao momento onde posso tocar o divino ao mesmo tempo que me sepulto no mundo, esse que me chama e me deixa sem chama, esse que me completa sem perguntar quem sou, sinto-me preso, sem força para perceber a força desse bocado de terra que me acompanha. Onde estás tu? Onde ficas tu para lá dos meus olhos, para lá do meu sonho, de nada me adianta querer chegar à fala contigo, da transcendência da tua natureza, herdei esta vida para que um dia a morte faça sentido, a morte que um dia acaba com a vida mas que jamais acabará com este sentimento. Espera por mim nesse lugar que um dia será só nosso, nesse enigma que visto daqui faz sentido e é finito, porque tu existes e é em ti que consigo ser o que procuro, o céu é apenas um lugar, e esse lugar só faz sentido se, quando o tocar, te conseguir sentir.

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.