Memória de algo que nos ultrapassa, memória de alguém que nos chama, que nos ensina, que nos ouve, a memória de partir para o desconhecido, a memória de fazer da memória a nossa descoberta, memória do espaço físico, memorável o sentimento de partilha e entendimento, memória de actos irreflectidos, despropositados, inesperados, memória de pensamentos vigorosos e altruístas, memória de alguém, aquele alguém que partiu e deixou para trás toda a nossa inquietude, todo o nosso desgosto, toda a nossa promessa.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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