Assim me deparo com a vida, a minha vida, caminho com passos largos e apressados, não corro nem ando muito devagar, antes percorro o caminho por mim traçado, ou não, talvez traçado por um qualquer imprevisto, a verdade é esta, quando o tempo se torna mais tempo do que o nosso próprio pensamento, lembro a importância de recorrer ao tempo para poder tê-lo por mais tempo, hoje, perante a vicissitude de estar desocupado, não gosto da palavra desempregado, tenho mais tempo para apreciar o tempo, o tempo que olho nos olhos da minha filha, o tempo que não passa e que está sempre a voltar atrás, o tempo futuro que não prevejo mas que quero alcançar, hoje, tenho o tempo de recorrer ao tempo da memória e da dor de ter tempo para tudo, custa parar e abrir a porta ao deserto do tempo, o meu começou agora, é um tempo que não desejo contar, é um tempo que desejo ver passar, é um tempo de solidão e um tempo de viver uma vida desconhecida, é o tempo de apreciar o que me rodeia sem pensar no tempo que vou gastar, é o tempo de sorrir para um tempo novo que há-de vir.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
Comentários
Enviar um comentário