Na verdade, ao ver-te aí sentada no colo, a choramingar e a lutar contra o sono, decidi ir devagar, com medo de falhar, não sabia se esse era o caminho, o caminho para te encontrar, o caminho para te poder desvendar, para te poder entender, fui ao encontro do teu sono, a tentar procurar o que sabes de mim, a tentar procurar o teu desejo, sem entender o teu pedido, sabia que pedias e chamavas por mim, daqui para aí, um tempo, uma vontade, falas na tua língua, na língua dos anjos, falas com o teu olhar, com as tuas mãos, olhas na minha direcção, esboças um sorriso e pedes, pedes de mim tudo o que sou, e eu, dentro do teu sonho, sou tudo o que queres que seja.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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