Gosto de pensar o teu olhar, de o interpretar, gosto de saber porque sorris ou porque choras, gosto da vida e do que ela me diz, gosto dos problemas e do desafio de os enfrentar, gosto da água e das folhas das árvores, gosto do cheiro da terra e do seu simbolismo, gosto do outro e daquele que vejo ao longe, gosto do vento e dos olhos a lacrimejar, gosto do frio, gosto de sentir o chão e saber que mais fundo não posso ir, gosto de me levantar e de olhar em frente, gosto de conversar com o silêncio e ouvir os seus conselhos, gosto de brincar com a minha filha sem ela saber que o estou a fazer, gosto de te ver dormir, gosto do que vejo quando estás de costas para mim, gosto do reflexo dos teus olhos e da cor da tua alma, gosto da flôr branca e do seu significado, gosto quando partes e sei que voltas, gosto quando me falas sem nada dizer, gosto quando mudas em mim o que nunca pensei mudar, gosto...
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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