Quando olho e vejo o que se passa lá por fora, cada vez me sinto melhor cá dentro, dentro da minha alma, do meu ser, da minha revolta e da minha vontade em mudar tudo aquilo que é impossível mudar, sinto-me bem comigo, com um eu que ainda estou a descobrir, a desvendar, a procurar, sinto-me capaz de te dizer tudo aquilo que ainda não te disse, sinto aquela certeza que a vida nos obriga, sinto aquela verdade que muitas vezes dizemos mas não sentimos, sinto que pertenço, que faço parte, mesmo estando longe de tudo e de quase todos, é bom ter este sentimento, é bom quando olhamos as palavras e sabemos exactamente como as usar, é bom ver o sorriso e a felicidade no silêncio, é bom saber e sentir as tuas mãos a passear o meu pensamento, é bom ver a luz que todos os dias raia, cinzenta ou brilhante, não deixa de ser luz e com ela traz o novo, o mais um, o belo e a perfeição de cada gesto desajeitado, é bom, é bom não ter título, não ser aquilo que se pensa que é.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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