E não é que, por vezes, somos obrigados a olhar para os outros e reconhecer que a verdade existe nos seus olhos mas está longe dos seus actos. Somos, ou não, chamados a olhar por estes, a interpelá-los, a questioná-los, somos, ou não, os responsáveis pela lógica dos seus actos, pela sua vontade, somos, ou não, parte de uma sociedade comum, somos, ou não, o seu espelho, somos, ou não, a sua revolta..., somos, ou não, capazes de fazer a diferença, somos, ou não..., seremos mesmo..., seremos mesmo dotados de apreço pelos mais egoístas, seremos capazes de perdoar a mentira, a desonestidade, seremos capazes de aturar o desejo, a cobiça, seremos capazes de violar a nossa verdade, seremos humildes em reconhecer o erro, seremos nós tudo isto, somos, ou não...
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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