Quando o teu corpo tocou uma parte do meu e fez tornar um recanto de ser num sol acordado e instante pecado do sereno, o desejo acontece por fim, foi um mar que te deu e o teu canto mudou, a verdade arrancou, no meu peito aterrou e o meu sopro morreu, dá-me um quarto vazio, vou deixar-te na tua fala e na pele que há em mim e de que nada sabes, vou tornar a ser, tornar a ver, vou ser o gigante adormecido, a música que me faz, o texto que me escreve, sem palavra, só melodia, só gesto, não sou mais que uma gota de luz ou uma estrela que cai, sou tudo e nada, não sou mais que um gracejo de Deus e um jardim de beijos sem idade. É tudo e é nada.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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