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Será

Será, será possível encontrar a verdade num acto de desespero, será que ainda me resta algum tempo contigo, aquele tempo que me permite dizer o quanto gosto de ti, o quanto preciso de ti, será que me resta esse tempo, esse espaço entre momentos, será que soube dar-te tudo o que querias, ou será que deixei-me morrer lento, no lento passar do tempo, será que fiz tudo o que podia fazer, ou fui simplesmente mais um, aquele que vê, que olha e que relata, mas ainda que doa, nada faz, será que um dia vou entender o céu, as suas tempestades e o seu azul luminoso, ou será que o escuro e o negro não me deixarão diferenciar o Norte do Sul, será que o amanhã ainda existe para mim, ou ao ver-te, deixei-me ir, será que lá fora o mundo ainda gira, ou as estrelas caíram e qualquer sorte desapareceu, será que te vou amar como hoje te amo, será que nesse dia vais estar comigo, será que os anjos ainda cantam, será que sou eu que existo ou é tempo que perco quando tento sorrir, será mesmo assim, diz-me, será?

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.