Será, será possível encontrar a verdade num acto de desespero, será que ainda me resta algum tempo contigo, aquele tempo que me permite dizer o quanto gosto de ti, o quanto preciso de ti, será que me resta esse tempo, esse espaço entre momentos, será que soube dar-te tudo o que querias, ou será que deixei-me morrer lento, no lento passar do tempo, será que fiz tudo o que podia fazer, ou fui simplesmente mais um, aquele que vê, que olha e que relata, mas ainda que doa, nada faz, será que um dia vou entender o céu, as suas tempestades e o seu azul luminoso, ou será que o escuro e o negro não me deixarão diferenciar o Norte do Sul, será que o amanhã ainda existe para mim, ou ao ver-te, deixei-me ir, será que lá fora o mundo ainda gira, ou as estrelas caíram e qualquer sorte desapareceu, será que te vou amar como hoje te amo, será que nesse dia vais estar comigo, será que os anjos ainda cantam, será que sou eu que existo ou é tempo que perco quando tento sorrir, será mesmo assim, diz-me, será?
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
Comentários
Enviar um comentário