Este é o momento para o dizer, porque não, o beijo, como
sonho com ele, como o desejo, como o venero, nunca o vi, nunca o sofri, mas
quero-o e acima de tudo, quero-o pelo gosto, pelo medo, pelo aconchego, quero-o pelo sentir, quero-o
como quero esse abraço que me desnuda e aquece o meu frio, quero esse beijo que
me deseja e me despede, quero esse beijo que me faz fechar os olhos, que
adormece na esperança de te olhar enquanto sonha, quero o beijo que o corpo
teima em ter, que a razão permanece, o beijo da minha vida, o beijo que acorda
os sentidos, que sorri na angústia, o beijo da verdade, o beijo que não se
esquece, que fica, que eterniza, que vive dele próprio, quero esse beijo, um
só, basta-me um só…
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
Comentários
Enviar um comentário