Este é o momento para o dizer, porque não, o beijo, como
sonho com ele, como o desejo, como o venero, nunca o vi, nunca o sofri, mas
quero-o e acima de tudo, quero-o pelo gosto, pelo medo, pelo aconchego, quero-o pelo sentir, quero-o
como quero esse abraço que me desnuda e aquece o meu frio, quero esse beijo que
me deseja e me despede, quero esse beijo que me faz fechar os olhos, que
adormece na esperança de te olhar enquanto sonha, quero o beijo que o corpo
teima em ter, que a razão permanece, o beijo da minha vida, o beijo que acorda
os sentidos, que sorri na angústia, o beijo da verdade, o beijo que não se
esquece, que fica, que eterniza, que vive dele próprio, quero esse beijo, um
só, basta-me um só…
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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