Perdido
entre o sorriso e a verdade das verdades, cruzado que está o mar, falta
descobrir o mundo e falar mais alto, falta saborear a tua onda que traz o desejo
e leva a saudade, recado e gesto de um
corpo de respeito caminhar, imponente olhar e toque suave daquela melodia que só
por nós consegue ser ouvida, cadeira vazia que espera por ti e pela tua vontade,
abraço que lembra e aperta a força do nosso silêncio. Semântica, significado,
abalo ou precipício, como se de um lado se tratasse, ausente do meu oposto que estou,
arredado dessa outra metade que me fascina, que ainda não pode vir, que tarda. Assim
sinto e sou, longe da palavra, da tua palavra, dessa que sai dos teus olhos sem
nada dizeres, impaciente na nossa omissão e paciente do nosso querer, assim
espero e deixo o livre arbítrio desenhar, aqui e agora. Sempre.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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