Tenho saudade de te escrever, no entanto o tempo passa, o cabelo cai, a barba cresce, as palavras enchem-se de nada e ficam por dizer, pelo menos em voz alta, quem disse que as palavras faziam sentido é porque nunca conseguiu ouvir o silêncio. Ainda demoras muito a dar-me um abraço, invento-te nos gritos que vou ouvindo, percorro a imperfeição como um louco e juro por todo o silêncio que existe que continuas a ser o que sempre foste para mim.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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