Tenho saudade de te escrever, no entanto o tempo passa, o cabelo cai, a barba cresce, as palavras enchem-se de nada e ficam por dizer, pelo menos em voz alta, quem disse que as palavras faziam sentido é porque nunca conseguiu ouvir o silêncio. Ainda demoras muito a dar-me um abraço, invento-te nos gritos que vou ouvindo, percorro a imperfeição como um louco e juro por todo o silêncio que existe que continuas a ser o que sempre foste para mim.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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