Vou falar contigo, vou pelo céu à tua procura, vou às cavalitas, escondido pela minha alma, vejo a estrela mais bonita, vou ser o príncipe da tua história, vou seguir os teus conselhos e voltar para ti, os teus olhos são esperança, já deixei de ser criança e mesmo sem saber se me vais ouvir, vou falar contigo, tenho saudade das tuas palavras, tenho saudade do mundo e da sua plenitude, tenho saudade do teu colo, tenho saudade das cores do vento, tenho saudade de ouvir as pedras a discutir pelo melhor caminho, tenho saudade da tua presença em mim e em nós, fazes-nos falta, é impossível existir sem te abraçar, é impossível fechar os olhos e nada ver, contigo, é impossível esquecer, é impossível ter-te só para mim, fazes-me falta, fazes-nos falta, vou abrir o livro da tua vida, vou desfolhar a tua história sem fim, vou ler cada vírgula e cada ponto, cada vale e cada montanha, cada mar e cada rio, vou ler tudo o que criaste, fazes-me falta, fazes-nos falta.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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