É muito tempo a descobrir o tempo, a desejar o tempo, a levantar marés, é muita a distância entre o silêncio e a voz, a vida vai rasgando os bocadinhos que são gastos pelo mundo, tu que sabes tanto de mim, tu que sentes quem eu sou, o medo fechou para abrir-se a outra margem de mim, são muitos dias de labirinto sem saída prevista, é muita vida a planar sobre o que sinto, dá-me um gesto que me diga o teu fundo, uma palavra que te possa tocar, dá-me o teu lugar encantado, dá-me a outra margem de mim.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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