Saio e vou em direcção oposta, caminho por entre os trilhos e as pedras, ainda distante ouço o barulho do meu destino, no bolso levo a minha mão transpirada, no olhar, o desejo do concreto e do imaginário, a luz é escura e o dia está cinzento, por vezes o sol aparece como que a dizer "bom dia", embora sinta as pernas a tremer, não as consigo fazer parar, tenho aquele lugar no pensamento e é até lá que quero ir, deslumbro no horizonte a imagem que procuro, aquela que me dá o alento e a vontade de continuar, passo por pontes estreitas que vagueiam sobre a terra e o mar e interpelam o céu para me deixar passar, entre mim encontro a minha outra face, o meu outro eu, entre mim e eu faço o caminho que nem sempre quero, que nem sempre posso, estou perto, sinto que estou perto, sinto os meus passos, sinto que vou para onde o eu me deixar ir.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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