Hoje não vou dizer nada, não quero dizer nada, por vezes não vale a pena, não é preciso, estou consciente que nada preciso dizer, as palavras, muitas vezes aliadas, tornam-se improdutivas quando o pensamento se vira para um dos lados e esquece todos os outros, não vou expressar um sentimento nunca sentido, pois as palavras serão inúteis, desprovidas de verdade, serão ridículas se forem escritas e no final inconclusivas, assim vai quem nada quer escrever...
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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