A beleza
da tua coreografia, a sedução que transmites no olhar, o delírio que esvoaça por
entre os dedos quentes da brisa não é mais do que a razão que em mim eternizas,
diante de ti perfilam exércitos apaixonados, mistérios que o tempo seduziu,
momentos que só a essência pode sentir, daí o arrepio, a sede da alma, aquela
que agasalhamos com roupa quando nos despem com o olhar. Não tens medo, és a síntese
dos anos, és o que vem e o que foi, és a palavra perfeita que traz consigo a
força do que diz, és uma linha sem traço, um desenho sem tela, um juízo sem
mágoa, és o sorriso do sofrimento, és a resposta e a diferença na inquietude,
és o romper do equívoco e o rasgar do silêncio, não há muitas outras razões
para estar vivo, a não ser para te ver viver…
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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