A beleza
da tua coreografia, a sedução que transmites no olhar, o delírio que esvoaça por
entre os dedos quentes da brisa não é mais do que a razão que em mim eternizas,
diante de ti perfilam exércitos apaixonados, mistérios que o tempo seduziu,
momentos que só a essência pode sentir, daí o arrepio, a sede da alma, aquela
que agasalhamos com roupa quando nos despem com o olhar. Não tens medo, és a síntese
dos anos, és o que vem e o que foi, és a palavra perfeita que traz consigo a
força do que diz, és uma linha sem traço, um desenho sem tela, um juízo sem
mágoa, és o sorriso do sofrimento, és a resposta e a diferença na inquietude,
és o romper do equívoco e o rasgar do silêncio, não há muitas outras razões
para estar vivo, a não ser para te ver viver…
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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