Já
são estas horas e o meu mundo continua acordado, ouvem-se da harpa melodias intensas
de assédio e provocação, as minhas pernas arqueiam e tremem sem nada poder
fazer, dobra-se o corpo sobre mim mesmo e o silêncio volta a chamar, a clamar
por um naufrágio de doces e intensos abraços, por um olhar que alimenta o sossego
e os sentidos, por um sorriso que atravessa a rua sem darmos por nada, sob a
forma de uma sombra que nos vela o sono ou de um olhar que faz descer escadas, separando, delicadamente, o corpo e a alma não
fosse o nosso desejo querer juntá-los no tempo, passageiro ou eterno.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
Comentários
Enviar um comentário