Um dia pensamos que o amor é um sentimento único, capaz de nos fazer tremer, de nos fazer chorar, de nos fazer sorrir, depois descobrimos que esse sentimento terá que ser mais, bem mais do que isso, terá que ser um sentimento de partilha, de busca, de emoção, de igualdade, de fraternidade, descobrimos que o amor é uma dádiva, é um pouco dos outros que nos é dado, é a explicação pela qual olhámos o outro com ternura, com carinho, com afectividade, no entanto, a razão deste sentimento é conseguir ver nele o amor por quem nada sente por nós, amar o nosso "inimigo" é a visão mais perturbadora do nosso ser, conseguir essa verdade, conseguir esse destino é sermos capazes de entender a verdadeira razão deste sentimento, se formos capazes de abrir o nosso coração a quem não nos ama, então somos capazes de entender o que significa amar.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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