A vida no seu senso comum, levanta-se, reclama porque existe, vive o presente a lembrar-se do passado e tem medo do futuro, atropela, humilha e despreza outras vidas que vão aparecendo na sua frente, ignora palavras e sentimentos com um qualquer propósito, julga sem qualquer piedade, atormenta sem qualquer razão e no final, na sua hora, olha para trás e morre com a sensação de que nunca existiu.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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