Pegamos ao acaso numa palavra, agora no que ela significa, o seu verbo, depois manuseamos o texto com arrepiantes adjectivos e golpes de escrita que achamos criativa, trabalho solitário este de desenhar a escrita em busca do abraço. Encontrado que está o dito, perdemo-nos na história com que tecemos o sentir e parecemos meninos a quem tiraram o brinquedo, do teu gesto, do teu toque, da tua presença desabam as estrelas e pedaços de lua cheia, as pernas tremem e o mar vai temperando as areias que escaldam e anunciam o inicio do susto que oculta o medo da verdade que sentimos, em torno de mim rodopia a tua cintura, em torno de ti ancoram os meus sentidos, finalmente fechas os olhos até pegarmos em outras palavras, em busca de outro abraço...
Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)
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