Pegamos ao acaso numa palavra, agora no que ela significa, o seu verbo, depois manuseamos o texto com arrepiantes adjectivos e golpes de escrita que achamos criativa, trabalho solitário este de desenhar a escrita em busca do abraço. Encontrado que está o dito, perdemo-nos na história com que tecemos o sentir e parecemos meninos a quem tiraram o brinquedo, do teu gesto, do teu toque, da tua presença desabam as estrelas e pedaços de lua cheia, as pernas tremem e o mar vai temperando as areias que escaldam e anunciam o inicio do susto que oculta o medo da verdade que sentimos, em torno de mim rodopia a tua cintura, em torno de ti ancoram os meus sentidos, finalmente fechas os olhos até pegarmos em outras palavras, em busca de outro abraço...
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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