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Encontro

Fui ao teu encontro pelo céu, cresci com o encanto de correr para ti, escondido nos teus braços, vi a estrela mais bonita, vi o sorriso mais sincero, montado nos teus joelhos percorri, segui os teus conselhos e voltei a lembrar o dia, esse dia.  Os teus olhos são esperança, os meus, um olhar distante, fui onde a vista alcança, deixei de ser quem sou, ainda durmo à lareira e sinto a tua essência no aconchego do meu ser, nada sei para além de tudo, ainda sofro pela verdade que esconde a próxima vez, não vou estar em mim se te quiser, mesmo que eu diga que tudo foi confusão, não falo com o coração, se é tarde ou cedo, se é hoje ou amanhã, agora ou nunca, pouco interessa, enquanto a música não me acalmar, o meu vicio por ti não vai passar, porque esmorece mas não esquece, porque o teu poema é um corpo que respira em céu aberto, no teu encanto existe a dor e a coragem de uma força viva, existe a noite, o riso e a certeza, no teu poema existe o silêncio, aquele que grita sem nada dizer, existe o sonho inquieto, existe o horizonte de um mar sem fim, no teu poema está escrito o dom da palavra e o saber do sorriso, com audácia recordo aquele momento, esse mesmo, aquele que agora vivo e que em ti e por ti vou perpetuar até ao dia do encontro.

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.