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o teu ser...

Do mais puro e instinto sentir é esta a encenação que liberta o traço e o fascínio pelo querer, ouço, leio e sinto as tangências de um assédio petrificado, libertador e extasiado, num destes escritos que babam de cobiça, dobra-se o ser sobre si mesmo, numa coreografia de desejo que não tem fim, é uma dança desnuda em lençóis de amarras, é um mar de sentidos, o corpo que cerco, onde de peregrino faço um caminho sem fé, visto assim, é o finito, o primeiro e o último, é da lonjura onde nasce o olhar, é um prenúncio difuso e íntimo, o que posso eu dizer além do sempre, como não é perturbador saber se o sentir é o acessório do olhar ou se é na dor que intento este prazer, nada é tão simples de tão enigmático, repousa a mão no presságio que comovido olha e deixa escapar a dor, condenada nas linhas da inocência, essa dor que ama sem cura e sofre sem remédio, confesso-me calado perante essa beleza, perdido perante os braços da quietude, entrego-me ao silêncio porque mil vezes bate o coração desarmado, outras mil sobressaltado e mil vezes mil magoado, porque de onde quer que venha, onde quer que esteja, até ao fim do horizonte, até para lá do olhar, comovido, sou eu, confesso que de amor sofro, na vontade como na dor.

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.