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o teu ser...

Do mais puro e instinto sentir é esta a encenação que liberta o traço e o fascínio pelo querer, ouço, leio e sinto as tangências de um assédio petrificado, libertador e extasiado, num destes escritos que babam de cobiça, dobra-se o ser sobre si mesmo, numa coreografia de desejo que não tem fim, é uma dança desnuda em lençóis de amarras, é um mar de sentidos, o corpo que cerco, onde de peregrino faço um caminho sem fé, visto assim, é o finito, o primeiro e o último, é da lonjura onde nasce o olhar, é um prenúncio difuso e íntimo, o que posso eu dizer além do sempre, como não é perturbador saber se o sentir é o acessório do olhar ou se é na dor que intento este prazer, nada é tão simples de tão enigmático, repousa a mão no presságio que comovido olha e deixa escapar a dor, condenada nas linhas da inocência, essa dor que ama sem cura e sofre sem remédio, confesso-me calado perante essa beleza, perdido perante os braços da quietude, entrego-me ao silêncio porque mil vezes bate o coração desarmado, outras mil sobressaltado e mil vezes mil magoado, porque de onde quer que venha, onde quer que esteja, até ao fim do horizonte, até para lá do olhar, comovido, sou eu, confesso que de amor sofro, na vontade como na dor.

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Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)

O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.