E se um dia retorquir, se um dia soltar a minha intuição, se um dia fizer uma pintura sem nenhum recado, assim, encurralado no meu próprio papel, naquele que me atribuiram, sou capaz de vir até junto a ti, acender a minha verdade, reflectir sobre o pensamento e levitar com a mesma leveza que esse sorriso traduz, porque tudo pode ser substituído pela escrita sem nunca me importar com as consequências desse acto e da sua gramática, quem sabe, é apenas semântica, aquela que fala com palavras nunca ditas, aquela que busca o sujeito e o provérbio, essa mesmo, aquela que vive dentro de nós.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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