Ausente que estou do teu olhar, contra o vento de afectos, debico o sentir da tua presença no meu pensamento, dorme o resto do corpo e mordem-se de deleite os lábios da alma, os braços que feitos de sombras e de íntimas aflições seguem a penumbra de um traço profundo no silêncio que adormece o medo. A linha da vida é difusa e até pode parecer com a linha do destino, mas sou eu, sou eu quem desenha e escreve de mim, sou eu quem cheira a terra após a chuva, é de mim que parte este velho testamento, é de mim que grita a raiva e a busca da resposta, é, provavelmente, o que faz a diferença, encontrar no meu mistério a inquietude, habitar no silêncio e abrigar a dor, fazer deste desejo o objecto do desejo de ser olhado. Acredito em ti meu Anjo.
"nenhum outro ruído é tão inquietante como aquele que sobra das palavras que se não dizem." Júlio Montenegro
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