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Deixas tanto de ti em mim.

Deixas tanto de ti em mim. Deixas o teu cheiro, a tua natureza, a pele que ainda sinto. Deixas o gosto do abraço. Deixas o apelo e o sonho desgovernado. Deixas o corpo que chora e a história mal contada. Deixas a sombra e a certeza. Deixas o nada e o tudo para sempre. Deixas o teu mundo tão longe. Deixas a tua voz, o momento e o canto da tempestade. Deixas o mar sozinho e o céu tão perto. Quanto tempo fomos, quantos dias, quantas estradas e quantas vidas serão, quantos desertos e quantas metades, quanto silêncio e quantas vontades. Ninguém sabe, ninguém tão perto. Sei de ti e sei que deixas tanto de ti em mim. Isso basta-me.

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Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.