Deixas
tanto de ti em mim. Deixas o teu cheiro, a tua natureza, a pele que ainda
sinto. Deixas o gosto do abraço. Deixas o apelo e o sonho desgovernado. Deixas
o corpo que chora e a história mal contada. Deixas a sombra e a certeza. Deixas
o nada e o tudo para sempre. Deixas o teu mundo tão longe. Deixas a tua voz, o
momento e o canto da tempestade. Deixas o mar sozinho e o céu tão perto. Quanto
tempo fomos, quantos dias, quantas estradas e quantas vidas serão, quantos
desertos e quantas metades, quanto silêncio e quantas vontades. Ninguém sabe,
ninguém tão perto. Sei de ti e sei que deixas tanto de ti em mim. Isso
basta-me.
Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)
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