Como se a vida me desse a faculdade de tal intento, como se o teu olhar fosse desaparecer da minha vista ou o teu cheiro do meu pensamento, como se os bolos de chocolate fossem isso mesmo, como se o grito fosse feito de eternos silêncios ou o desenho fosse tudo o que um lápis pode fazer. Somos mais, somos mais que palavras que estão por dizer, somos mais que o abraço que ainda está por acontecer ou o sorriso que ainda está por abandonar, somos mais que o adormecer, somos mais que o querer, somos mais que a tempestade ou o sabor da verdade, somos mais que o sentir, somos mais, somos muito mais do que podemos parecer. E, ainda assim, até quando, juntos, vamos conseguir viver um sem o outro...
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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