Já
não sei porque apagas a luz tão cedo. Já não sei porque te deitas de olhos
abertos ou porque esperas por mim para te cobrir. Já não sei onde pões esse
beijo que procuro antes de to dar ou esse desejo que sentia antes de desejar. Sei
que, afinal os anjos têm sexo entre eles e, às vezes, comigo. Sei que, escasso
é o corpo para tanta vontade e doce é o caminho que perturba o sabor.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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