Esta vontade que das palavras advém, sem qualquer razão, que me levam por caminhos desconhecidos e efémeros, que fazem suar o calor dos sentidos, que renunciam ao silêncio e me deixam esgotado de acções, que permanecem na mais terna vontade de te dizer, não posso deixar o castigo na ausência, fico à espera e luto para que esse mar não desapareça, vou escrever e talvez vença este longo caminho, leva-me, leva-me e esconde-me em ti, contigo venço a dor do silêncio e a memória do passado, não tenho lágrimas porque me despiste de sentimentos que um dia tive, se quiseres assim, sou o teu mundo e o teu beijo, se olhares, eu vou, quando vieres distante, agarra-me no tempo e diz-me que nada foi em vão.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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