O teu olhar é o meu retrato, hoje não vejo senão o teu sonho, o teu nome, só para poder afastar a minha tristeza, para poder iluminar o meu ser e o meu coração, falta-me bem mais que isso, falta-me soltar na noite o grito e o nome que no meu peito me sufoca, falta-me dizê-lo aos quatro ventos, falar-lhe na lua e no sol, falta-me dizê-lo a todos eles, porque ele é prosa e poesia, é palavra e silêncio, é grito e vontade, porque ele é verdade e esperança, porque é a noite e o dia, porque devolve aos meus olhos o arrepio da melodia da tua voz, porque todo ele é perfeição e destino, falta-me soletrar ao teu ouvido e falta-me segui-lo até onde for, falta-me, fazes-me falta.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
Comentários
Enviar um comentário